O tema costuma aparecer no debate público sempre com o mesmo enquadramento: “gravidez na adolescência” é narrada como um problema da menina, da sua família, da escola e, no máximo, dos serviços de saúde. O pai, seja um rapaz da mesma idade, seja um homem adulto, entra como coadjuvante ou desaparece dos registros e das políticas. Esse cenário se apoia em políticas públicas centradas quase exclusivamente na gestante, em dados oficiais que pouco dizem sobre a idade e a presença do pai, e em uma cultura marcada pela perspectiva masculina, que naturaliza a ideia de que “filho é preocupação da mãe” enquanto o homem segue sua vida. Pesquisas mostram que meninos e homens não são ignorantes em relação à contracepção e aos riscos da gravidez precoce; o que se vê, na prática, é um abismo entre o que sabem e o que fazem, atravessados por pressões de grupo, modelos de masculinidade e contextos de vulnerabilidade social.
Este texto busca desconstruir a ideia de que a gravidez na adolescência é um problema estritamente feminino ou um mero “azar” biológico. Essa visão apaga tanto a negligência de rapazes informados quanto a predação de homens adultos que abandonam menores após a gestação, naturalizando a fuga masculina e impedindo que a paternidade seja tratada como dever ético e questão de saúde coletiva. Enquanto a cobrança recai apenas sobre a “mãe precoce”, perpetuamos uma masculinidade que usa o corpo jovem como troféu e autoriza o abandono quando a responsabilidade se impõe. A proposta aqui não é oferecer receitas individuais nem moralizar a sexualidade de adolescentes, mas evidenciar estruturas que produzem padrões de irresponsabilidade e abandono. É preciso recolocar meninos e adultos no centro da análise e da responsabilização, deslocando a masculinidade de vetor de risco para rede de suporte e ética reprodutiva e construindo caminhos concretos para que homens, adolescentes ou adultos, deixem de ser invisíveis e passem a responder, de modo justo e compartilhado, pelas consequências de suas escolhas sexuais.
🤰Onde estão os homens na gravidez adolescente?
A configuração atual dessas iniciativas pode ser resumida nos seguintes pontos:
Déficit de Atenção Masculina: Inexistência de programas nacionais ou estaduais específicos para adolescentes sobre contracepção; as raras ações para homens são genéricas e voltadas ao público adulto.
Protagonismo Feminino Local: Presença de projetos consolidados para meninas, como as oficinas de educação sexual em São Paulo, estratégias focadas em ISTs e gravidez em Fortaleza, e atividades em Eunápolis/BA e Alta Paulista.
Iniciativas Mistas e Informais: Existência de rodas de conversa e estudos pontuais (Amapá, Sorocaba/SP, Teresina/PI e UFFS/PR) que, embora incluam meninos, muitas vezes não possuem o status de política pública formal.
Neutralidade dos Programas Nacionais: Estruturas como a PNAISC e o Programa Saúde na Escola (PSE) tratam a educação sexual de forma mista, mas falham ao não segmentar a abordagem da contracepção por gênero.
No conjunto, o cenário atual mantém o foco no pré-natal e no planejamento familiar sob a ótica feminina. O resultado é uma política de saúde que, ao tentar ser neutra, acaba deixando a figura masculina pouco interpelada e desassistida em suas necessidades específicas.
Ao não produzir dados consistentes sobre esses pais nem criar políticas que os convoquem à ação, Estado e mídia chancelam o modelo de masculinidade irresponsável. A invisibilidade estatística e institucional funciona como mecanismo de manutenção da desigualdade de gênero, tratando o homem como coadjuvante desonerado de sua função social, enquanto a mulher se sobrecarrega com o estigma e o cuidado. Mas essa negligência é apenas metade do problema: mesmo quando a informação chega até esses jovens, barreiras psicológicas e pressões sociais criam um abismo entre o que eles sabem sobre contracepção e o que de fato praticam no cotidiano.
🧠Saber sobre não é o suficiente
Graças a programas públicos, à atuação de educadores mais preparados e ao acesso às redes sociais, houve um aumento expressivo das informações disponíveis sobre contracepção e sobre o impacto da gravidez na vida de uma pessoa, em qualquer idade. Ainda assim, esse conhecimento muitas vezes é ignorado ou minimizado por questões culturais e psicológicas.
Pesquisas com adolescentes brasileiros mostram um padrão recorrente: meninos possuem conhecimento teórico básico sobre métodos e riscos, mas mantêm práticas de risco e baixa adesão ao preservativo. Em estudo com escolares de Macapá (AP), por exemplo, metade dos jovens apresentou conhecimento intermediário e atitudes favoráveis à prevenção em tese, mas a prática cotidiana era inadequada para quase 90% deles. Eles reconhecem a importância do preservativo e o peso de uma gravidez precoce, mas não usam métodos de forma consistente, não realizam testes para ISTs e raramente conversam sobre o tema com parceiras ou familiares.
Outros estudos confirmam esse descompasso: mesmo com bom nível de informação, a negligência permanece, sobretudo nas iniciações sexuais precoces. Em diferentes contextos, os dados indicam uma adesão masculina ao preservativo maior que a feminina, mas ainda insuficiente, e um índice preocupante de garotos que se expõem ao risco mesmo dominando a teoria. O resultado é um paradoxo: saber como prevenir não garante que o adolescente vá transformar esse saber em hábito.
Autores que investigam masculinidade e sexualidade apontam que essa “irresponsabilidade sexual” não decorre apenas de falta de informação, mas de uma construção psicológica atravessada pela masculinidade hegemônica. Do lado subjetivo, estudos sobre práticas sexuais de adolescentes destacam núcleos como sensação de invulnerabilidade (“comigo não acontece”), necessidade intensa de pertencimento ao grupo e validação entre pares, ideal do corpo masculino sempre pronto para o sexo e dificuldade de falar sobre dúvidas e limites. As transformações corporais da puberdade são lidas como “provas” de que viraram homens e vêm acompanhadas da expectativa de se mostrar ativo, experiente e desinibido sexualmente; admitir medo, negociar camisinha ou procurar ajuda pode ser vivido como ameaça a essa identidade em construção.
A homossociabilidade, “os parças”, os grupos de amigos, rituais de comparação corporal e sexual, reforça uma matriz cultural em que ser homem é ser forte, não demonstrar medo e provar virilidade por meio de performance e risco. Autocuidado e prevenção (ir ao serviço de saúde, insistir no preservativo, admitir vulnerabilidade) são facilmente associados a traços “femininos” ou “fracos”, enquanto comportamentos de risco são recompensados como coragem ou maturidade. Assim, a discrepância entre conhecimento e prática não é um simples erro de cálculo, mas efeito direto de um mundo organizado a partir de uma perspectiva masculina que pouco convoca o rapaz como sujeito de cuidado.
Esses dados revelam uma “vulnerabilidade cognitiva”: o conhecimento técnico é silenciado pela pressão de performance. Para muitos adolescentes, o risco social de ser excluído do grupo de masculinidade hegemônica parece mais real e imediato do que o risco biológico de uma paternidade precoce. A suposta “irresponsabilidade” não nasce de um vácuo de inteligência, mas de uma socialização que ensina o homem a negligenciar o autocuidado como prova de virilidade, transformando o preservativo em barreira não apenas para o prazer, mas para a aceitação de sua identidade masculina. A recusa em adotar métodos preventivos, mesmo sob plena consciência dos riscos, aponta que a raiz do problema não está na ausência de informação, mas na falta de diálogos que humanizem e desconstruam o que significa “ser homem” hoje. E é justamente quando essa performance de invulnerabilidade falha e a gravidez se concretiza que o jovem é confrontado com uma realidade para a qual não foi preparado: um turbilhão de impactos psicológicos e a necessidade de reorganizar, muitas vezes de forma precária e solitária, todo o seu projeto de vida.
🧠O evitável aconteceu: é preciso pensar no depois
O impacto psicológico da gravidez na adolescência é inevitável. A paternidade precoce reorganiza o projeto de vida do rapaz: necessidade de trabalhar cedo, interrupção dos estudos, entrada em empregos precários. Ao engravidar alguém, esse adolescente é confrontado ao mesmo tempo, com discursos normativos (“assume que é tua responsabilidade”) e com uma oferta limitada de suporte real.
Os adolescentes do estudo de Gontijo et al. relatam que a descoberta da gravidez vem como susto, choque e medo, seguida por uma cobrança interna e externa para “ser responsável”: assumir o filho, trabalhar mais, “virar homem”. Isso gera culpa, ansiedade com o futuro e conflitos com as famílias de origem. Muitos já tinham trajetória escolar irregular e inserções precárias no mundo do trabalho; a paternidade, nessas condições, acelera processos em curso, combinando abandono escolar, entrada em ocupações de baixa qualificação e perda de liberdade, vividas com ambivalência: sofrimento pelas perdas e, ao mesmo tempo, satisfação por se perceber mais maduro e reconhecido como pai.
A cultura de masculinidade hegemônica empurra esse rapaz para o lugar de “homem provedor” que deve assumir, trabalhar e “dar conta”, enquanto a rede de apoio é frágil e pouco estruturada. No caso de meninos em situação de abrigo, o quadro é ainda mais duro: vindos de contextos de pobreza, vínculos familiares frágeis e inserção instável no trabalho, muitos já usam a rua e “bicos” como estratégia de sobrevivência. Quando a paternidade acontece, ela recai sobre trajetórias quebradas, com escolaridade atrasada e poucas oportunidades formais; qualquer responsabilidade adicional tende a ser absorvida pelo trabalho precoce e informal, não pela continuidade dos estudos.
Gontijo & Medeiros mostram que esses adolescentes associam ser pai a “botar coisa dentro de casa”, “manter materialmente o lar”, ou seja, ao papel tradicional de provedor. Se, na cabeça deles, ser pai significa antes de tudo conseguir dinheiro, o efeito prático é reorganizar o pouco que existe de projeto de vida em torno do trabalho, mesmo precário, empurrando escola, lazer e sonhos de mobilidade para o segundo plano. Em contextos de desfiliação e quase nenhum suporte institucional, instala‑se uma tensão permanente: a cobrança para “ser homem” e prover sem condições reais para isso.
A discrepância entre o que é exigido (sustentar, proteger, “não falhar”) e o que de fato é possível entregar produz um estado duradouro de preocupação com o futuro, medo de não dar conta e sensação de fracasso: ansiedade crônica, conflitos familiares, rupturas com pares e escola.
A engrenagem é clara:
vulnerabilidade estrutural +
mandato de provedor masculino +
pouca rede de apoio
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reconfiguração de vida forçada + alto custo psicológico
Quando colocamos esse quadro ao lado das relações em que quem engravida a adolescente não é um rapaz, mas um homem adulto com mais idade, renda e poder, aparecem dois efeitos distintos da mesma lógica de gênero: de um lado, o menino pressionado a assumir sem suporte; de outro, o adulto que explora a vulnerabilidade da menina, seduz com status e depois desaparece, reforçando um modelo de masculinidade predatória em que a “conquista da novinha” vira troféu e a paternidade, novamente, some de cena.
💪 A gravidez como resultado de poder
É amplamente normalizada, em muitos contextos, a gravidez de adolescentes por homens adultos, entre 20 e 30 anos ou mais, enquanto a jovem tem menos de 15 ou menos. Essa normalização nasce de uma sociedade que permite ao homem usar maturidade, status e promessas como instrumentos de sedução, reforçando masculinidades predatórias nas quais a “conquista da novinha” é exibida como sinal de prestígio.
Essa dinâmica se sustenta em uma estrutura que facilita a fuga da responsabilidade masculina, permitindo que o homem siga sua vida enquanto a paternidade permanece invisível. No plano de gênero e geração, vivemos em uma cultura que celebra a sexualidade masculina e controla a feminina. Homens mais velhos são socializados a ver o interesse por meninas como algo “normal” ou até admirável, e a ideia de que a adolescente é “madura demais” é usada para legitimar a aproximação adulta como se fosse a oferta de um “futuro melhor”.
Estudos qualitativos sobre casamento infantil no Brasil revelam que essa diferença etária é a base de uma assimetria de poder em que o adulto decide os rumos da relação, controla o cotidiano da jovem e determina seus horizontes. Muitos homens relatam que as parceiras os seguem e obedecem porque eles são os sujeitos “estruturados”, o que acaba engolindo os projetos de vida delas. A dimensão de classe aprofunda o quadro: em contextos de pobreza e baixa escolaridade, o homem mais velho surge como falsa estratégia de sobrevivência, atalho para sair de lares violentos ou garantir moradia. Ele se apresenta como “porto seguro”, mas as pesquisas mostram que essa barganha custa abandono escolar, isolamento e dependência econômica que reduz a capacidade da adolescente de negociar proteção.
Quando a gravidez surge, a diferença de recursos permite que o adulto se desvincule com relativa facilidade – mudando de cidade, negando o vínculo, apoiando‑se no silêncio familiar e institucional –, enquanto a menina fica presa à consequência concreta: o filho. A gravidez na adolescência, nesses casos, deixa de ser um fenômeno entre iguais e aparece como subproduto de uma estrutura que valida o uso do corpo jovem como prova de virilidade. Estado e família tendem a cobrar moralmente a “imprudência” da menina, mas permanecem muito mais silenciosos diante do homem adulto, protegendo sua trajetória.
A invisibilidade da paternidade nesses contextos funciona como ferramenta de manutenção de privilégios: permite ao adulto usar sua autonomia primeiro para seduzir e, depois, para desaparecer.
👨 A irresponsabilidade de quem deveria ser mais responsável
Como já dito, quando o homem que engravida uma adolescente não é um garoto, mas um adulto, a assimetria de poder se torna ainda mais evidente. A fuga da responsabilidade paterna não é apenas falha individual, mas exercício final de um privilégio que permite ao homem usufruir da liberdade e da carreira enquanto a menina é aprisionada pelo estigma e pelo isolamento social. A subnotificação de pais adultos, somada à aceitação do “pai desconhecido” como algo natural em contextos de pobreza, funciona como um escudo burocrático que garante a esse homem o direito ao esquecimento. Sem nome no papel, o Estado perde a capacidade de questioná-lo, e a responsabilidade parental torna‑se opcional para o adulto e compulsória para a menina.
Culturalmente, o comportamento desse homem é muitas vezes interpretado como “aventura” ou deslize menor, enquanto a adolescente é culpabilizada por sua suposta “precocidade”. O foco se desloca da exploração de poder cometida pelo adulto para a conduta moral da jovem, criando um ambiente em que ele se sente socialmente autorizado a seguir sua carreira e vida social como se a paternidade fosse um capítulo que pode deixar de escrever. A lógica da manutenção de status faz o restante: com mais recursos materiais, capital simbólico e redes de contato, o homem maduro tende a permanecer integrado à sociedade mesmo após o abandono, enquanto a adolescente enfrenta interrupção escolar, hostilidade familiar e isolamento.
Esse duplo padrão reforça a ideia de que o corpo feminino jovem é território de uso temporário, sem consequências para quem detém o poder da idade e do gênero. Ao mesmo tempo, o discurso público insiste em tratar a gravidez na adolescência como problema de “falta de orientação” ou de escolhas individuais equivocadas, sem nomear o papel ativo desses homens e a estrutura que os protege.
🔞 Mudança necessária
Romper esse ciclo exige deslocar a masculinidade do lugar de invisibilidade e predação para o de responsabilidade e cuidado. Isso passa por pelo menos três movimentos: nomear e responsabilizar homens adultos que se relacionam com adolescentes, convocar os meninos como sujeitos de cuidado (e não apenas de risco) e oferecer suporte concreto para que pais adolescentes possam exercer a paternidade sem serem esmagados pelo mandato de provedor solitário.
Do ponto de vista ético, o primeiro passo é afirmar de forma inequívoca que a aproximação sexual de homens adultos com adolescentes não é romance, mas exercício de poder. A recusa em tratar essas relações como “histórias de amor” abre espaço para políticas que combinem responsabilização jurídica com proteção real às meninas, garantindo que a paternidade não possa ser simplesmente apagada dos registros e da memória social.
Em paralelo, é necessário construir políticas e práticas que abordem diretamente os meninos. Isso significa desenvolver programas de educação sexual que não falem apenas “para meninas se cuidarem”, mas que convoquem rapazes a se verem como corresponsáveis pela prevenção, pelo uso de métodos e pelo cuidado com a própria saúde. Mais do que transmitir informação, é preciso criar espaços de escuta e diálogo em que eles possam questionar os modelos de virilidade que aprenderam, falar de medo, dúvida e limites sem serem ridicularizados.
Por fim, apoiar pais adolescentes implica olhar para suas trajetórias concretas: escolaridade interrompida, inserção precária no trabalho, vínculos familiares frágeis. Programas que favoreçam a permanência ou o retorno à escola, o acesso à formação profissional e o compartilhamento do cuidado com família, serviços e comunidade podem ajudar a quebrar a lógica em que a única forma de “ser homem” é sacrificar o próprio futuro em troca de uma provisão material sempre insuficiente.
Em todas essas frentes, a chave é deslocar a pergunta. Em vez de perguntar apenas “o que essa menina fez para engravidar?”, é preciso perguntar “quem são os homens envolvidos, onde estão, que responsabilidades lhes cabem e que condições damos, ou não, para que as assumam?”. Só quando a figura masculina entrar de forma explícita nas estatísticas, nas políticas, nas conversas familiares e nas cenas clínicas a gravidez na adolescência deixará de ser tratada como um destino exclusivamente feminino e poderá ser enfrentada como um fenômeno de gênero, poder e cuidado compartilhado.
"Tornar‑se homem implica assumir responsabilidade por si e pelos outros homens, especialmente meninos e adolescentes, criando vínculos de cuidado, limites e exemplo que rompam o ciclo da masculinidade violenta e silenciam os afetos." — BOLA, JJ. (2020)
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💡 Saiba mais:
O que é o SINASC?
O Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) tem por objetivo reunir informações relativas aos nascimentos ocorridos em todo o território nacional. Foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde/DATASUS visando reunir informações epidemiológicas referentes aos nascimentos informados.
A fonte dos dados é a Declaração de Nascido Vivo, padronizada pelo Ministério da Saúde, com 52 campos, entre as quais podem ser destacadas: duração da gestação, peso do recém-nascido, idade da mãe, local de ocorrência e tipo do parto.
A partir da base de dados do SINASC é possível:
Conhecer o perfil de nascidos vivos, identificando seus diversos aspectos: peso ao nascer, condições de vitalidade, idade da mãe, prematuridade, distribuição espacial e temporal, entre outros.
Subsidiar para o desenvolvimento de ações para melhorar o atendimento às gestantes e aos recém-nascidos, identificando situações de risco.
Calcular indicadores tais como percentual de partos cesarianas, nascidos vivos com baixo peso e por faixa etária da mãe. O número de nascidos vivos também é utilizado como denominador para cálculo da cobertura vacinal, coeficiente de mortalidade infantil e materna.
Definição de nascido vivo:
“Nascimento vivo é a expulsão ou extração completa do corpo da mãe, independentemente da duração da gravidez, de um produto de concepção que, depois da separação, respire ou apresente qualquer outro sinal de vida, como batimentos do coração, pulsações do cordão umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de contração voluntária, estando ou não cortado o cordão umbilical e estando ou não desprendida a placenta. Cada produto de um nascimento que reúna essas condições se considera como uma criança viva” (Organização Mundial da Saúde, 1999).
José Henrique Prudêncio (Indivíduo da capa; Fonte: V9 TV UBERLÂNDIA)
José Henrique Prudêncio é um brasileiro de Estrela do Sul (Triângulo Mineiro, MG), reconhecido como o pai mais jovem do mundo aos 12 anos, quando nasceu seu filho Mateus Teotônio Prudêncio em 1994 (ele tinha 11 durante a concepção, após um romance de um dia com uma menina de 12 anos).
Devido à idade extrema, a família da mãe criou o bebê inicialmente; ninguém soube da paternidade até um exame de DNA anos depois confirmar José Henrique.
O tio-avô Itamar Fernandes (62 anos na época da reportagem) e esposa Carminha criaram Mateus como filho. José Henrique tentou registro no Guinness, mas faltou segundo teste de DNA.
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📚 Referências e sugestões de leitura:
BOLA, JJ. Seja homem: a masculinidade desmascarada. 2. ed. Porto Alegre: Dublinense, 2020. 176 p.
CASTRO, M. G.; TULLI, M.; LIMA, C. Políticas públicas e invisibilidade masculina na gravidez na adolescência. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 58, 2024.
CORREIO SANTA VÍTORIA. Pai aos 11 anos, o mais novo do mundo e do Triângulo Mineiro. Correio Santa Vitória, 8 ago. 2020. Disponível em: https://correiosantavitoria.com.br/2020/08/08/pai-aos-11-anos-o-mais-novo-do-mundo-e-do-triangulo-mineiro/. Acesso em: 4 fev. 2026.
GONTIJO, A. C. et al. Impacto psicológico da paternidade precoce em adolescentes. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre, v. 24, n. 4, p. 678-689, 2011.
GONTIJO, A. C.; MEDEIROS, M. Paternidade adolescente em contextos de abrigo: provedorismo e reorganização de vida. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 26, n. 11, p. 2123-2134, 2010.
LERNER, Gerda. A criação do patriarcado: história da opressão das mulheres pelos homens. São Paulo: Cultrix, 2019. 400 p.
LOPEZ, J.; MOREIRA, R. Irresponsabilidade sexual na adolescência: construção psicológica e masculinidade hegemônica. Revista Brasileira de Psicologia, Brasília, 2013.
OLIVEIRA, P. P. de. A Construção Social Da Masculinidade. Belo Horizonte: Ufmg, 2004. 352 p.
OLIVEIRA, S. Masculinidade e contracepção: barreiras culturais na adolescência. Saúde em Debate, São Paulo, 2023.
SANTANA, M. et al. Conhecimento e prática contraceptiva em adolescentes: estudos em Macapá e São Paulo. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 29, n. 2, p. 345-356, 2024.
SÃO PAULO. SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE. Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos - SINASC. 2023. Disponível em: https://prefeitura.sp.gov.br/web /saude/w/epidemiologia_e_informacao/nascidos_vivos/29569. Acesso em: 03 fev. 2026.
V9 TV UBERLÂNDIA. Pai aos 11 anos, o mais novo do mundo, é do Triângulo Mineiro. V9 TV Uberlândia, 2020. Disponível em: https://painel.v9vitoriosa.com.br/geral/pai-aos-11-anos-o-mais-novo-do-mundo-e-do-triangulo-mineiro/. Acesso em: 4 fev. 2026.
VALIM, M. D. et al. Descompasso entre conhecimento e uso de preservativo em Uberaba/MG. Revista Latino-Americana de Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 23, n. 3, p. 456-463, 2015.
VASCONCELOS, A. et al. Irresponsabilidade sexual dos meninos: sociedade pelo olhar masculino. Psicologia & Sociedade, Florianópolis, v. 28, n. 1, p. 112-125, 2016.
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